Entrevista com Reinaldo Varella e Alberto Fadigatti

A Equipe Troller fez sua estréia no Rally Paris Dakar Cairo 2000 com as duplas: Cacá Clauset/piloto e Amyr Klink/navegador; Reinaldo Varela/piloto e Alberto Fadigatti/navegador; Roberto Macedo/piloto e Marcos Ermírio de Moraes/navegador; Arnoldo Junior/piloto e Galdino Gabriel/navegador, todos fazendo também sua estréia no Paris-Dakar.

Os jipes Troller T5 – carinhosamente chamados de “Jipes Brasileiros”, foram preparados no Ceará pelo departamento de desenvolvimento da Troller e competiram na categoria T3 (Protótipos), destinada aos modelos preparados, com até 1.000 unidades de fabricação. A Troller Dakar teve quatro jipes e três caminhões de apoio na prova. Foi a primeira vez que uma equipe brasileira disputou essa categoria, que na época era considerada a elite do Rally.

A edição do ano 2000 cruzou a África de Oeste a Leste, atravessando 6 países (Senagal, Mali, Burkina Faso, Niger, Líbia e Egito), num total de 10.000 km de percurso, 17 etapas, 6.000 km de especiais e 4.000 km de deslocamento.

Para o Piloto Reinaldo Varela as dificuldades foram grandes.

Qual foi a maior dificuldade que vocês enfrentaram na primeira vez que participaram da prova com o Jipe Brasileiro, Troller?

Reinaldo Varella – As dificuldades enfrentadas durante o Rally foram muitas! Era a primeira vez que o Rally atravessaria a África de leste à oeste. Outro desafio foram as ameaças terroristas, que causaram  mudanças de rotas. Mas para nós naquele ano, o mais difícil mesmo foi competir pela primeira vez, numa prova desafiadora e com concorrentes de altíssimo nível. Foi a edição mais longa e na época atravessamos mais da metade do percurso dentro do deserto.

Conte-nos sobre o Troller de vocês desde a primeira competição.

Reinaldo Varella – Para o Dakar de 2000, nosso carro ficou pronto na França. Não tivemos tempo suficiente para testá-lo, mas sabíamos das dificuldades que enfrentaríamos desde o primeiro momento. Estávamos competindo no maior Rally do Mundo – o mais duro, percurso imenso e no meio do deserto, competidores fortes. Na prova avaliamos e percebemos que o carro era muito forte, enfrentava tudo, mas não conseguimos chegar no momento correto. Claro que ganhar uma posição de destaque estava em nossos objetivos.

No segundo ano do Dakar, preparamos o carro durante o ano todo, numa nova estrutura. Montamos nossa estratégia para não desgastar o carro numa hora desnecessária – usamos a cabeça. Garantimos com o “jipe brasileiro” o título de Vice-campeões do ano.

Durante o Rally de Marrocos, conseguimos trazer para o Brasil o título inédito de campeões do Mundial de Rally na categoria T 3.2 Diesel.

E o maior desafio no primeiro Dakar?

Reinaldo Varella – Nosso maior desafio era chegar ao Cairo com o carro, com todas as duplas, mostrando a força e a competência que o Troller era capaz. E isso foi possível, além de conquistarmos o quarto lugar na nossa categoria na edição.

Durante o Rally dos Sertões 2002 qual foi sua estratégia para chegar tranqüilo, e fazer a prova sem desgastar o carro?

Reinaldo Varella – Nossa estratégia foi começar a posicionar dentro do Rally, pois além das dificuldades de prova longa, muitos pilotos estavam começando e aceleravam muito nos primeiros dias. Esperamos um pouco. Principalmente nos primeiros dias para ver como seria o andamento das primeiras etapas. Então, a gente que já tem mais experiência, tem que esperar um pouquinho para começar a ver em que pé eles vão andar, assim víamos em qual ritmo estavam nossos concorrentes da frente e o quanto estavam andando forte.

E o Troller de hoje, o que para você mudou?

Reinaldo Varella – É um carro arrojado, mais preparado, muito moderno e muito mais rápido. Um forte competidor nas provas pelo mundo.

Qual conselho você transmite para quem comprou um Troller e quer competir nas provas off-road?

Reinaldo Varella – Para quem quer começar aconselho se preparar bem fisicamente, e preparar bem o carro. Entender como ele funciona, o que ele requer e precisa. Além disso, ter uma boa equipe também é fundamental.

Como foi vencer o Rally do Marrocos? E o Troller, como se comportou?

Alberto Fadigatti – O Rally de Marrocos foi um dos títulos mais sensacionais de minha vida. Foi uma grande vitória do carro, que agüentou muita pedra, areia e duna, e para nós, estava muito, muito difícil. O calor era de 50 graus C e além do cansaço físico achávamos que não chegaríamos ao final. Eu cheguei a passar mal com o calor, com queda de pressão.

Eram imensos paredões de areia, um atrás do outro, e vinha na cabeça – O que fazemos agora, vamos ficar? Mas o Troller batalhava e lá estávamos nós subindo outra duna. Foi uma vitória que nos encheu de orgulho e responsabilidade para prosseguirmos no Mundial, o que deu a nós, à Troller e ao Brasil o título de campeões, com garra e força.

E no Dakar?

Alberto Fadigatti – As dificuldades eram imensas também, conseguimos com muito esforço batalhar pelo nosso espaço. Nossa preocupação, além de todas as dificuldades que o rally sempre apresentou, era com acidentes – capotagens, batidas, quebras, enfim, nosso objetivo foi cumprido. Sabíamos das dificuldades para disputar nossa categoria, então desde a hora que saímos nossa meta era chegar entre os cinco primeiros lugares, mesmo poupando o carro na hora correta. Em todas as provas nosso índice de quebra de carro sempre foi praticamente zero. O pior numa prova é não poder disputá-la por quebrar o carro.

Como foi para você, após estes títulos, a disputa no Rally dos Sertões 2000?

Alberto Fadigatti – Toda prova é importante, é um misto de aventura e responsabilidade. No Sertões você pode andar rápido quase todo o tempo, mas é necessário ter bons equipamentos não só como o carro, bom hodômetro, GPS, tudo funcionando. Lá são quase que estradas. Apesar das dificuldades que o Sertões também apresenta, o Troller enfrentou com bravura e facilidade todas as etapas.

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